sábado, 17 de setembro de 2011

Ney Matogrosso





Apenas o fato de Dentro da Noite ser dirigida por Ney Matogrosso já garante um bom público ao teatro. Eu já conhecia o seu trabalho musical, assim necessitava conferir como é a sua atitude no palco. Como eu sabia que várias pessoas iriam pensar dessa maneira, fui mais cedo ao Teatro Carlos Carvalho. O que eu havia previsto aconteceu: casa cheia.


A partir da atuação de Marcos Alvisi, são apresentadas duas histórias bastante distintas. A primeira, que dá título à peça, se passa dentro de um trem. Lá Rodolfo encontra um antigo conhecido para quem ele conta a sua mania de furar mulheres com agulhas. A seguinte, O Bebê de Tarlatana Rosa, se passa em uma biblioteca. Trata-se do relato de um acontecimento, no carnaval, por Heitor de Alencar.


Inicialmente o público se depara com um barulho de trem, em seguida o palco se revela e encontra-se um cenário simples constituído por uma cadeira. Essa simplicidade não impossibilita as ações do ator, que usa muito bem o palco e, mesmo nos momentos em que está sentado, tem um fluxo contínuo de ação. O assento é logo ocupado após a entrada do personagem através de vibrantes cortinas avermelhadas. O seu figurino é discreto: usa terno e um sapato branco e preto. Isso faz contraste com a atuação constituída de expressões exageradas – o que não prejudica a qualidade do espetáculo.






A obscuridade do conto é evidenciada pela trilha sonora a pela iluminação. O som que foi muito bem organizado para que possibilitasse maior envolvimento com a cena. Já o jogo de luz é o que mais impressiona – o que não é de se duvidar, pois há o auxílio do diretor que é bem reconhecido pelo seu trabalho de iluminador. Inúmeros spots são distribuídos pelo teatro e cada um deles age perfeitamente aumentando a
tensão da cena e do espectador. Há momentos em que o susto é inevitável.


Depois dessa parte pesada, o público relaxa e se diverte com o relato do debochado Heitor. Além de sua chamativa personalidade, é necessário destacar a excentricidade em seu visual: calça um sapato decorado com listras de zebra. Além disso, as músicas escolhidas auxiliam no humor da cena. No entanto, não é em razão de haver tantos elementos humorísticos que a sensação será a mesma até o fim. O espectador se surpreende com a grande reviravolta na trama: o relato animado transforma-se em algo grotesco.


Toda essa dinamicidade impossibilita que o público se canse do monólogo. E isso é auxiliado pelo bom trabalho de Marcos Alvin em parceria com Ney Matogrosso, além de, é claro, outra protagonista: a iluminação.






Ficha Técnica

Direção: Ney Matogrosso
Produção executiva: Déa Martins
Narração: Rubens de Araújo
Fotografia: Rui Mendes
Iluminação: Carlos Lafert e Marcus Alvisi
Trilha sonora: Marcus Alvisi e Henrique Jardim
Figurino: Joana Seibel
Elenco: Marcus Alvisi


Por: Manuella P. Goulart

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