quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Agreste Malvarosa




A partir do texto de Newton Moreno, a Cia. Amok Teatro apresenta a história de dois lavradores, que ao se conhecerem através de uma cerca ficam apaixonados. Para que fiquem juntos, os dois fogem e vão morar no meio do Sertão. Porém, após 22 anos, o homem da casa falece. No velório, a viúva descobre algo que modificará a sua vida e chocará a sociedade.


O relato, narrado por duas mulheres nordestinas, é dito de forma lenta e bem marcada. No entanto, isso não prejudica o entendimento do que é falado, mas auxilia na atuação das atrizes. É evidente a emoção sentida durante o texto: os olhos brilham a cada frase dita e as expressões são marcantes. Em momento algum o público se inquietou ou desgrudou o olhar da cena. Aliás, o sotaque foi muito bem trabalhado, não era exagerado. Além de narradoras, a dupla interpretou vários outros personagens como a viúva, o padre e duas velhas. Sendo que todos eles eram críveis em cena e em momento algum foram interpretados com o uso de clichês. Havia marcante presença cênica.


Quando se chega na parte do velório, ao invés de usarem um ator para interpretar o defunto, foram utilizadas peças de roupas que, organizadas, simbolizavam ele. Elas não eram apenas um meio de caracterizar o personagem, mas foram manejadas quando as velhas trocavam as vestes do morto. E eis a parte mais engraçada da peça. Enquanto o serviço era feito, as velhas cantavam uma música graciosa que se modificava a cada vestimenta retirada. No entanto, ao mesmo tempo em que o público ria, o espetáculo se encaminhava para o seu momento chave que surpreendeu a todos.


Não se pode deixar de também citar o trabalho musical. É característico do Amok usar a música feita em cena por um músico, como em Kabul. As canções não tinham apenas o valor de ilustrar o que estava acontecendo no palco, mas proporcionava os momentos de tensão e auxiliava no clima do espetáculo. Em vários momentos há a vontade de fechar os olhos para ouvir a melodia.


Outros recursos usados para auxiliar no clima foi a iluminação. A escolha de cores quentes proporcionou que o público pudesse se situar no lugar onde a peça se passa, ou seja, no Sertão. Isso também permitiu que a platéia fosse presenteada com imagens belíssimas. Um momento marcante foi quando a peça chegava ao fim: enquanto a história era relatada, uma luz vermelha era evidenciada no fundo de palhas fazendo contraste com as duas atrizes sentadas em cadeiras.


Agreste Malvarosa é um espetáculo delicioso de se assistir. Mérito não apenas do cenário e da trilha sonora, mas das atrizes que emocionam ao público com a grandiosa atuação e do texto que, mesmo sendo voltado para a cultura nordestina, é muito próximo da realidade de todo o Brasil.






Ficha Técnica

Texto: Newton Moreno
Direção: Ana Teixeira e Stephane Brodt
Elenco: Millene Ramalho e Rosana Barros
Figurino e cenografia: Stephane Brodt
Iluminação: Renato Machado
Música: Beto Lemos
Fotografia: Marcos Souto Soares
Produção: Erick Ferraz
Duração: 1h
Classificação: 12 anos

Por: Manuella P. Goulart

Nenhum comentário:

Postar um comentário