quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Krapp's Last Tape




Um dos espetáculos mais esperados do Porto Alegre em Cena deste ano, Krapp’s Last Tape fala sobre um homem de 70 anos que, no dia de seu aniversário, resolve ouvir uma gravação que fez há 30 anos. A partir desse momento, ele vai se lembrando da história que ouve e reagindo perante a essas memórias.

Bob Wilson, diretor e ator da peça, trabalha muito bem o texto de Beckett. Os 20 minutos iniciais, em que permanece praticamente imóvel, são marcados por forte presença cênica. Durante esse tempo, ações mínimas são apresentadas – comer bananas – em que é visível a precisão dos movimentos do ator que, mesmo lentos, estão sempre em sincronia com os efeitos sonoros. Tais efeitos possibilitaram a atmosfera sombria da cena através de altos e constantes barulhos de trovoadas.


Aliás, é importante destacar o cenário. O palco foi transformado numa sala composta por uma grandiosa “prateleira” ao fundo e mesas com jornais ao canto. O centro era o local do personagem, nele continha um aparelho para que fosse possível escutar as gravações. É aí que o ator fica a maior parte da peça. Isso não impede que sejam realizadas várias ações, tanto exteriores quanto interiores.

O figurino era semelhante ao cenário, neutro. O que entrava em contraste com o personagem cuja aparência era semelhante a de um mímico: rosto e mãos brancas. Isso possibilitou que eu o comparasse, em certos momentos, com Charles Chaplin. Principalmente na cena em que carrega as fitas: o seu andar é curto, porém rápido e com um “gingado” diferente, assemelhando-se ao do personagem de Carlitos.

Em relação ao público, não é necessário informar que o teatro estava lotado. Tanto é que a fila já havia começado às 19h45, sendo que o espetáculo só começaria às 21h. Apesar de haver casa cheia, o público se manteve atento ao palco e no final, assim como na peça, começou a chover. Porém não era a chuva da projeção, mas de aplausos.





Ficha Técnica

Texto: Samuel Beckett
Criação, direção e atuação: Robert Wilson
Desenho de cenário e concepção de luz: Robert Wilson
Desenho de figurino e colaboração para desenho de cenário: Yashi Tabassomi
Desenho de luz: A.J. Weissbard
Desenho de som: Peter Cerone e Guillaume Dulac
Diretor adjunto e gerente de palco: Sue Jane Stoker
Diretor assistente: Charles Chemin
Assistente de criação de luz: Xavier Baron
Diretor técnico: Reinhard Bichsel
Supervisor de iluminação: Aliberto Sagretti
Chefe de montagem: Corinna Gassauer
Maquiagem: Marielle Loubet
Fotografia: Lesley Leslie-Spinks
Assistente Pessoal Sr. Wilson: Bernhard Stipping
Duração: 1h10min
Classificação: 14 anos
Um projeto de Change Performing Arts
Produtores: Elisabetta di Mambro e Franco Laera
Encomendado por Grand Théâtre de Luxembourg e Spoleto52 Festival of 2 Worlds

Manuella P. Goulart é estudante do Departamento de Arte Dramática da UFRGS

Nenhum comentário:

Postar um comentário